S. Miguel do Rio Torto: Actualidade e História

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Natural de S. Miguel do Rio Torto (Abrantes). Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Estágio Profissional no Arquivo Histórico do Concelho de Abrantes. Pós-graduado em Ciências Documentais (Arquivo). Organizei e Inventariou o Arquivo da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra. Mestre em História - Museologia pela Universidade de Coimbra. Interesses de Investigação: Maçonaria, História da vida estudantil, História da Universidade, Patrimónios material e imaterial da vida estudantil. Museu Académico de Coimbra. Autor de vários livros como as biografias de Lucas Junot, Dr. Joaquim Isabelinha e de instituições como o Museu Académico de Coimbra. Actualmente sou técnico superior da Universidade de Coimbra e Mestre de Cerimónias Adjunto no Protocolo da Universidade de Coimbra.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Profissão já desaparecida: Ferrador



Uma das profissões da nossa terra e não só, pois cada terra tinha um é o Ferrador.
Antigamente todas as terras tinham tinham um ferrador, pois tratava-se de uma profissão utilitária para as necessidades da época, sobretudo se tivermos em conta que o meio de transporte daquela época era a cavalo, para as classes mais abastadas e de burro ou mula com carroça para as classes mais necessitadas, pois não havia casa que não tivesse cavalo, burro ou mula com carroça.
com a utilização contínua destes animais no quotidiano os cascos gastavam-se, pelo que tinham de pôr as ferraduras para que durassem mais, além de o Ferrador também possuir a tesoura que cortava as crinas de tais animais. Este facto fazia com que a profissão de ferrador tivesse muita saída profissional e houvesse muito trabalho nesta área.
A oficina do ferrador tinha um tronco onde eram amarradas as patas dos animais na operação de ferrar, um fole e uma bigorna onde a ferradura era moldada de acordo com o tamanho do casco do animal.
Falar da profissão de ferrador em S. Miguel do Rio Torto é falar das minhas próprias origens, já que quem exerceu esta profissão em S. Miguel do Rio Torto era meu bisavô, pai da minha avó paterna, Maria Elisa Rodrigues Lopes (5/5/1909-10/11/2005).
Quem exerceu esta profissão em s. Miguel do Rio Torto foi João José Rodrigues (1884-1966), que era popularmente conhecido por João Ferrador, certamente devido à profissão. Não sei ao certo desde quando exerceu a profissão em S. Miguel, certo é que em 1909, já a exercia, conforme vem no registo de baptismo da sua filha mais velha, Maria Elisa Rodrigues Lopes: [...]filha de João José Rodrigues, ferrador e de Elisa Joaquina, do governo de sua casa [...]. O que prova que em 1909 já exercia aquela profissão e exerceu-a até à sua morte, em 2 de Janeiro de 1966.
Continuou a sua profissão o seu filho Luís Rodrigues, que até há bem pouco tempo continuou a exercer e ainda exerce quando é requisitado para tal. Por outro lado, naquela época era costume os pais passarem o testemunho da profissão aos filhos e até genros, tanto que outro dos filhos, António José Rodrigues também aprendeu o ofício e exerceu esta profissão em Ulme (Chamusca), para onde foi habitar e o seu genro Manuel "Ferrador", na Bemposta também aprendeu o ofício e exerceu-o na Bemposta. Contudo, como hoje já ninguém usa aquele meio de transporte, pode-se considerar uma profissão práticamente extinta.
Entretanto, o Eng.o Maia Alves que Administra os sites de História de Mouriscas em: www.motg.blogs.sapo.pt e www.motg.no.sapo.pt (façam uma visita) também num mail me chamou à atenção que por vezes os ferradores eram quase como que veterinários, tendo até enviado estes versos relativos a essa situação dos ferradores, que são assim:
Certo Médico afamado,
Tendo doente um jerico,
Mandou chamar o ferrador
Para curar-lhe o burrico
Pronto o bicho, quanto devo?
Pergunta o Dr. Fabrício.
Nada, que nós não levamos dinheiro
aos que são do mesmo ofício.
Foto: João José Rodrigues, vulgo "João Ferrador".
Nota: Foto da Colecção Particular de Rui Lopes.

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